A Grendene encerrou o quarto trimestre de 2025 com retração operacional refletindo o ambiente de consumo mais restritivo no Brasil e ajustes na dinâmica de pedidos ao longo da cadeia varejista. A receita líquida somou R$705,1 milhões no período, queda de 18,0% em relação ao 4T24, acompanhando a redução de 19,8% no volume de pares comercializados.
A menor diluição dos custos industriais, decorrente da queda de volumes, pressionou a rentabilidade operacional. O EBIT recorrente totalizou R$122,5 milhões no trimestre, recuo de 43,7% na comparação anual, enquanto a margem EBIT recorrente atingiu 17,9%.
Mesmo diante da retração operacional, a companhia manteve avanço consistente do preço médio dos produtos. A receita bruta por par cresceu 9,4% no trimestre e 18,3% no acumulado de 2025, impulsionada por ajustes de portfólio e pela maior participação de produtos de maior valor agregado.
O lucro líquido recorrente alcançou R$286,1 milhões no quarto trimestre, queda de 17,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de 2025, o lucro líquido recorrente totalizou R$815,9 milhões, crescimento de 2,4%, sustentado principalmente pelo desempenho do resultado financeiro, beneficiado pelo elevado nível de caixa e pelo patamar mais alto das taxas de juros.
No mercado doméstico, o desempenho foi impactado pela maior seletividade do consumo e por uma postura mais cautelosa do varejo na recomposição de estoques, especialmente ao longo do segundo semestre. Já no mercado externo, o quarto trimestre foi marcado por ajustes pontuais de embarques e instabilidades em mercados específicos, embora as exportações tenham apresentado crescimento no acumulado do ano, com destaque para a América Latina.
Entre as marcas, a Melissa manteve desempenho positivo, com aumento de 36,7% na receita bruta em 2025, apoiado na evolução do preço médio e no fortalecimento do posicionamento global da marca.
Segundo Alceu Albuquerque, diretor financeiro e de relações com investidores da Grendene, “o ano foi marcado por menor demanda e maior seletividade do consumo. A companhia optou por preservar posicionamento de marca e rentabilidade, ainda que com impacto sobre volumes, mantendo disciplina operacional e sólida geração de caixa”.
Ao final de 2025, a Grendene manteve estrutura financeira sólida, elevada liquidez e baixa alavancagem, garantindo flexibilidade para atravessar ciclos mais desafiadores de consumo e aproveitar oportunidades de crescimento nos mercados em que atua.
Principais indicadores econômico-financeiros:
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