Pesquisa da Ecglobal também aponta que música é acompanhada com alguma frequência por mais de 70% dos entrevistados
Shows lotados, comércios movimentados e séries no TOP 10 da Netflix refletem o crescimento da onda coreana (Hallyu) no Brasil, fenômeno que tem atraído não apenas o público, mas também marcas, produtoras e plataformas de streaming. Para entender melhor essa relação, a Ecglobal, empresa da plataforma Haus da big tech Stefanini especializada em consumer insights, realizou uma pesquisa com 957 pessoas, com 852 delas apontando interesse no assunto e respondendo sobre hábitos de consumo e tendências ligadas à cultura sul-coreana.
Os dados revelam que os aspectos mais conhecidos ou de interesse entre os brasileiros são séries (55%), tecnologia (55%), filmes (48%), comida (44%), beleza e cuidados com a pele (41%) e música (41%), os álbuns têm 11%, sugerindo que o consumo musical mais contundente na internet.
K-drama: o preferido por todos
O destaque da pesquisa vai para os k-dramas, consumidos por quase 90% dos participantes, sendo que destes 55% assistem ao menos uma vez por semana. Essa mídia tem um alcance ainda maior do que a música, que é acompanhada com alguma frequência por mais de 70% dos entrevistados.
Com 80% dos assinantes da Netflix no mundo consumindo produções coreanas, a América Latina se destaca como uma das regiões com maior demanda, conforme apontado recentemente por Minyoung Kim, vice-presidente de conteúdo da empresa da Ásia-Pacífico. Esse crescimento que vem ocorrendo mundialmente desde a pandemia, está diretamente ligado à ascensão do streaming e à oferta de conteúdos dublados, tornando as produções coreanas mais acessíveis ao grande público.
Por aqui, os dados da Ecglobal confirmam a preferência dos expectadores pela Netflix que lidera como a plataforma favorita por 60% das pessoas, seguida por YouTube (14%), Amazon Prime Video (9%) e Viki (4%). A Globoplay, que começou em dezembro a adicionar séries coreanas em seu catálogo, aparece com 4%. A versão dublada é preferida por 53%, frente a 19% do conteúdo legendado e 28% das pessoas que alternam entre as opções.
A variedade de títulos é o principal motivador de escolha da plataforma para 37% dos entrevistados, seguido pela qualidade da legenda ou dublagem (35%). As produções originais são apontadas por 31%, enquanto a exclusividade de títulos e indicação de amigos ou influenciadores, tiveram 23% e 20%, respectivamente.
Já para músicas, o Youtube é preferido pelos ouvintes (69%), seguido pelo Spotify (57%) e Apple Music (12%).
Eventos e shows ganham espaço
O interesse por eventos de cultura coreana já mobiliza um público significativo no Brasil. Em 2025, 47% dos entrevistados têm intenção de participar de eventos relacionados à cultura sul-coreana, mostrando que o engajamento vai além do consumo digital e inclui experiências presenciais. Entre eles, 23% afirmam que com certeza irão, enquanto 24% dizem que provavelmente irão.
Os eventos desejados incluem festivais culturais (46%), exposições e feiras de produtos (45%), shows de K-pop (35%) e fan meetings (27%), que tem ocorrido com mais frequência no Brasil e atraído recursos de grandes e pequenas produtoras, apesar de seguirem centralizados no eixo Rio-São Paulo.
Comidinhas e consumo
O interesse também se reflete no consumo: 48% dos entrevistados já compraram tecnologia e eletrônicos coreanos, 41% alimentos ou bebidas, e 40% cosméticos ou produtos de skincare. Quando perguntados se as taxas aplicadas em sites ou aplicativos internacionais são um problema, 45% dos consumidores indicaram que comprariam mais sem as taxas e outros 34% buscam alternativas ou compram com restrições, oferecendo uma oportunidade para empresas locais de viabilizar a distribuição desses produtos no Brasil.
O mercado de alimentos, em especial, tem registrado um crescimento expressivo. Em 2023, o Brasil importou US$ 9,17 milhões em alimentos da Coreia do Sul, um aumento de 30,9% em relação a 2022, segundo dados do KATI (Informações de Suporte à Exportação de Alimentos Agrícolas e Pesqueiros). Apenas na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2023, já é possível notar o impacto dessa tendência, com um aumento de 11,4% na importação de ramen (tipo de macarrão instantâneo) e 22,5% na de soju (bebida alcoólica destilada).
Oportunidades para marcas
Além do consumo, a pesquisa revelou que 85% dos respondentes consideram interessante que marcas criem experiências relacionadas à cultura coreana para promover seus produtos e serviços. Isso demonstra que o público busca mais do que apenas itens de consumo. Para as marcas, essa é uma oportunidade estratégica de fortalecer o engajamento e a fidelização, incorporando elementos da Hallyu em eventos temáticos, campanhas e colaborações com influenciadores.
O mercado de produtos personalizados também se mostra promissor: 80% dos consumidores afirmam que experimentariam itens inspirados na cultura coreana, sendo que 46% têm certeza disso e 34% provavelmente fariam essa escolha. Mais do que interesse, há disposição para investir: mais de 60% estariam dispostos a pagar mais por produtos com referências coreanas.
“Para as empresas brasileiras, esta representa uma oportunidade singular para ampliar sua presença no mercado, incorporando elementos da cultura coreana em suas estratégias. Concentre-se em ofertas locais, priorize experiências culturais e invista no segmento premium e em personalizações. Eventos e iniciativas que vinculam os consumidores à cultura coreana, seja através de festivais, workshops ou campanhas imersivas, possuem um alto potencial de engajamento”, comenta Adriana Rocha, CEO da Ecglobal.