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Lares menores puxam o consumo do setor de biscoitos, massas e pães, afirma Abimapi

Em 2025, 61,4 milhões de lares brasileiros compraram algum produto da Cesta Abimapi, o que representa um aumento de 1,4% na base de compradores, de acordo com os dados da Worldpanel by Numerator, encomendados pela Associação das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), além disso, a penetração chegou a 99,7% dos lares brasileiros no mesmo período e a frequência de compra aumentou 10,7%. Ainda segundo o estudo exclusivo, o comprador mais maduro (acima de 50 anos) é o que possui a maior participação total no volume consumido da cesta: 35,6%.

Além disso, o crescimento é fortemente puxado por domicílios formados por pessoas independentes (que moram sozinhas ou em casais sem filhos), lares monoparentais de pessoas até 29 anos e a classe C. Para Claudio Zanão, presidente-executivo da Abimapi, o estudo mostra que a demografia do Brasil está mudando e reorientando o consumo. “O crescimento do nosso setor hoje é alavancado por lares menores e consumidores maduros. A indústria está respondendo a esse cenário com muita inteligência ao oferecer monoporções e embalagens reduzidas, além de investir em inovação para atender à demanda por saudabilidade com opções ricas em fibras, sem glúten e proteicas. Mas não podemos esquecer que a indulgência continua sendo um fator decisivo na compra do brasileiro. O prazer à mesa e nos momentos de celebração é inegociável para o consumidor”, avalia.

Segundo o levantamento da Worldpanel, o avanço também é sustentado pela entrada de novos lares compradores: +4,5% em pães industrializados; +8% na categoria de bolos e +12,3% em misturas para bolo. “Notamos um consumidor que utiliza conhecidas estratégias para equilibrar suas compras dentro do lar, aumentando sua frequência de compra, sobretudo na compra de categorias como pães e massas, e reduzindo o seu gasto a cada ida no ponto de venda. O consumidor visita a loja mais vezes, mas com a cesta mais enxuta”, analisa David Fiss, Diretor Sr. de Novos Negócios na Worldpanel.

Preferências do consumidor

O consumidor de pães industrializados buscou produtos de maior valor agregado, impulsionando nichos como pão tipo brioche, que cresceu 58,3%, e tipo tortilha, com alta de 46%. Já a linha de pães premium foi destaque: o pão industrializado artesanal ganhou 11,5% de penetração, enquanto o tipo branco artesanal cresceu 25,8%. O consumo de pães no café da manhã representou 72% das ocasiões, mas o jantar também se consolidou, dobrando de tamanho e superando a ocasião do lanche da tarde.

Entre biscoitos, os doces sustentaram o volume com a frequência que mais cresceu na categoria: +5,8%. Notou-se também uma forte busca por saudabilidade e opções menos calóricas, com crescimentos expressivos em biscoitos tipo seco (+10,3%), cracker (+3,9%), maisena (+3,6%) e nas opções sem glúten (+11,3%).

Na categoria massas alimentícias, a praticidade conquistou os consumidores, com as embalagens de até 500g crescendo +5,1%. Nas ocasiões especiais, a massa seca tipo caseira teve um aumento de +4,7% no volume por viagem no final do ano.

A categoria bolos se adaptou às novas configurações familiares, com as monoporções (até 199g) garantindo o crescimento: essas embalagens ganharam +10,3% de penetração e geraram uma frequência de compra 70% maior frente aos tamanhos maiores. Entre os sabores preferidos pelo consumidor, estão chocolate, gotas de chocolate e laranja, que juntos representam 45,5% do volume da categoria em 2025.

No caso das misturas para bolos, as opções indulgentes brilharam em 2025. Misturas para brownie cresceram +23%, petit gateau +27% , e sabores como brigadeiro saltaram impressionantes +102%. Além disso, o nicho especial de Sem Glúten disparou com +44,8% de aumento.

Setor cresce

Em 2025 o setor cresceu 3,2% e encerrou o ano com um faturamento de R$ 70,5 bilhões, de acordo com dados NielsenIQ, elaborados pela entidade. Mesmo em uma conjuntura econômica desafiadora, que refletiu em uma leve retração de 2,1% no volume total (4 milhões de toneladas), o setor demonstra estabilidade e uma valorização estratégica de suas categorias.

Os biscoitos representam a maior categoria em faturamento e volume: cresceu 1% em valor, alcançando R$ 34,1 bilhões e 1,5 milhão de toneladas. A segunda maior categoria é das massas alimentícias, que apresentam estabilidade, com crescimento de valor de 2,9% e faturamento de R$15,5 bilhões. Ambas tiveram variação com ligeira queda no volume, -5,6% de -1,2, respectivamente.

Ainda de acordo com dados NielsenIQ, elaborados pela Abimapi, os pães industrializados registraram desempenho positivo, com 6% de crescimento no faturamento e R$ 16,5 bilhões, e +1,2% em volume, com 793 mil toneladas comercializadas. Enquanto os bolos industrializados superaram a média das categorias básicas, com boa performance em valor, 9,6% (R$ 2,9 bilhões), e aumento de 2,6% em volume (65,6 mil toneladas). Já a mistura para bolos se destacou com 14,9% de crescimento em valor (R$ 1,5 bilhão) e +6,1% em volume, com 175,5 mil toneladas.

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