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Em ano de grandes disputas, como Copa do Mundo e Eleições, estudo mapeia cinco grandes movimentos para apoiar líderes de marcas e negócios

A agência anacouto, lança o estudo “Grandes Apostas 2026”, voltado para apoiar líderes de marcas e negócios em um mundo que muda rapidamente e exige clareza estratégica. O material é resultado de um processo profundo que combina a experiência diária da agência com mais de 50 clientes, a escuta atenta de suas dores e dilemas, e uma série de pesquisas e referências para decodificar as transformações no comportamento, na cultura e no mercado.

“Este estudo não é uma coleção de tendências. É uma visão construída: um recorte do presente, organizado em tensões reais, para apoiar decisões melhores, e mais rápidas, sem perder a direção”, afirma Ana Couto, CEO da agência anacouto, LAJE, Valometry e É,Faz&Fala. Como explica a especialista, 2026 não está sendo um ano neutro, especialmente no Brasil, com Eleições e Copa do Mundo pela frente. “É um calendário atravessado por emoção, competição e disputa simbólica.”

Além disso, também se trata de um ano carregado de feriados e uma aceleração tecnológica sem precedentes, com a inteligência artificial (IA) transformando rotinas, profissões e modelos de negócio em ritmo vertiginoso. A atenção coletiva oscila, as narrativas se intensificam, o humor social muda rápido. Em um 2026 sob pressão, o branding é o que sustenta significado e acelera valor das organizações. A seguir, conheça as cinco “Grandes Apostas 2026” para as organizações:

1.Descentralização simbólica: a ascensão de novos imaginários culturais

Durante décadas, Estados Unidos e Europa definiram o que era moderno e desejável culturalmente. Hoje, diferentes geografias produzem seus próprios referenciais e influenciam o imaginário coletivo em escala global. Não por modismo, mas porque seus imaginários ganharam densidade. Quando um território sustenta sua narrativa com consistência, seus símbolos deixam de ser consumo superficial e passam a ser explorados, estudados e vividos.

Há sinais desse movimento. Cresce o interesse por produções culturais fora do eixo tradicional, como K-dramas, Afrobeats, cinema latino-americano e funk brasileiro. Fandoms globais surgem a partir de culturas antes consideradas periféricas, enquanto a ancestralidade, a personalidade local e o sentimento de pertencimento ganham destaque. Marcas e plataformas começam a incorporar referências não-ocidentais como eixo central de suas narrativas, e as discussões sobre descolonização cultural e redistribuição do protagonismo simbólico se tornam cada vez mais presentes.

O exemplo de Bad Bunny é emblemático. Ele não dilui Porto Rico para caber no mundo, mas amplia Porto Rico até que o mundo precise caber nele, sustentando idioma, estética, tensões políticas e referências locais sem tradução simplificada. “Marcas relevantes não tentam caber em todos os lugares. Elas escolhem um território cultural e se aprofundam nele. A relevância vem da coerência, não da adaptação constante de tudo”, afirma Ana Couto.

Para a especialista, negócios devem integrar a cultura em todos os aspectos: do produto ao portfólio, das parcerias à experiência do consumidor. Além disso, precisam co-criar com suas comunidades, remunerando e dando crédito às contribuições para gerar pertencimento real.

2.Legitimidade horizontal: o poder da influência está mais distribuído

O estudo identifica um ciclo de desconfiança estrutural, em que instituições, líderes, celebridades e mega influenciadores são questionados constantemente. A publicidade parece encenação, e a inteligência artificial tornou qualquer imagem ou discurso potencialmente manipulável. Assim, a confiança se reorganiza e ganha força quem é próximo, real e acessível. Pessoas comuns, que se parecem mais com o consumidor, passam a ser vistas como mais legítimas do que autoridades distantes. Recomendações, comunidades e criações coletivas deixam de ser tática de engajamento e passam a sustentar valor de marca.

Entre os sinais observados desse movimento estão a queda na confiança em celebridades e mega influenciadores, crescimento consistente de microinfluenciadores e creators de nicho, expansão do conteúdo gerado pelo usuário como motor de decisão de compra, recomendações digitais que substituem o boca a boca tradicional, e o ceticismo público sobre intenção, publicidade e manipulação por IA. “Em vez de buscar sempre novos rostos, as organizações precisam transformar clientes reais em protagonistas. A marca ganha força quando a defesa nasce de dentro, não de contratos”, explica Ana Couto.

A solução apontada pelo estudo é que as marcas devem democratizar seus processos criativos e estratégicos, convidando consumidores e fãs a criarem produtos, narrativas e decisões de negócio. “As organizações podem permitir que clientes vendam e indiquem do jeito deles, com menos roteiro e mais uso real, ampliando credibilidade”, completa Ana.

3.Autenticidade como ativo: o que não pode ser replicado se torna a principal fonte de valor
Outra conclusão do estudo é que, com a produção massiva de conteúdo e o avanço da inteligência artificial, o que não pode ser replicado se tornou o principal ativo competitivo das organizações. A execução pode ser copiada, mas personalidade, repertório, visão e consistência são diferenciais que sustentam valor. Atualmente, percebe-se uma produção massiva de conteúdo gerado por IA e há um aumento no debate crescente sobre autoria e originalidade. O consumidor, por sua vez, busca marcas com história, propósito e posicionamento claros, e valorização de origem territorial, cultural e biográfica.

Segundo Ana Couto, as organizações precisam recorrer a seus arquivos e histórias, transformando legado em decisões de produto, design, serviço e expansão. “Quanto mais o presente é gerado por prompt, mais raro se torna o que foi construído por trajetória. Marcas com memória estruturada e elementos únicos não precisam performar autenticidade. Elas operam a partir dela.”
4.Omni experience: a experiência além da transação

Até agora, o foco das organizações estava na otimização da compra: checkout rápido, jornada fluida e omnichannel eficiente. No entanto, esse roteiro não garante mais vínculo com o consumidor, que já consegue comprar de qualquer lugar, a qualquer hora. O diferencial passa a ser a experiência que envolve o consumo, combinando o digital, que entrega escala e conveniência, com o físico, que entrega presença e memória.

Um exemplo de experiência que chamou a atenção do mundo é a arena imersiva Sphere, inaugurada em 2023 em Las Vegas, com capacidade para cerca de 18 mil pessoas. Ela combina tela interna de LED com resolução 16K, sistema de som espacial de altíssima precisão e tecnologia sensorial integrada à arquitetura. “Se comprar já é fácil, o papel da marca é gerar memória. Mais do que facilitar a jornada, é preciso construir momentos que façam a pessoa sentir que esteve ali”, diz Ana.

A população enfrenta uma fadiga digital e redução voluntária de tempo de tela. Também há crescimento de experiências presenciais como festivais, busca por wellness e esportes coletivos, além de ativações físicas que aprofundam relações iniciadas no digital. Esse é o caminho apostando pelo estudo: eventos, espaços físicos e ativações não são extras, mas parte da estratégia integrada. O digital deve convocar, o físico intensificar e o digital prolongar a experiência, garantindo que a comunicação sustente a vivência.
5.Arquitetura do enredo: é lembrado quem dirige uma boa história

Outra conclusão do estudo é que em um ambiente digital saturado, o pico de atenção não constrói relação. O que permanece é a continuidade. Narrativas estruturadas ao longo do tempo, com tensão, curiosidade e desdobramento, criam memória e vínculo. Atualmente, crescem formatos seriados e conteúdos em temporadas, além de humor, drama e escapismo como forma de permanência no feed. Marcas têm adotado narrativas contínuas. “Não basta informar. É preciso desenvolver conflitos, surpresa. O público precisa sentir algo e querer acompanhar o próximo capítulo. Envolvimento nasce de emoção, não de repetição”.

De acordo com a especialista, lançamentos, campanhas e ativações devem ser organizados como partes de uma mesma linha narrativa como forma de aumentar a retenção, reduzir a dispersão e construir valor acumulado ao longo do tempo. “Organizações devem operar como diretores de cinema, definindo enquadramento, ritmo, luz, textura, silêncio e atmosfera. Elas devem utilizar fotografia, som e narrativa como idioma para criar universos consistentes e evolutivos que aproximem comunicação e entretenimento”, explica Ana.

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