Empresa investe R$ 20 milhões em novo parque fabril em Campo Limpo Paulista, reforça a distribuição nacional e amplia parcerias com grandes marcas para consolidar a categoria de gelo para drinks
A Coco Leve se prepara para um novo ciclo de expansão com a construção de um parque industrial em Campo Limpo Paulista (SP), que deve elevar a capacidade de produção diária de 400 mil para até 700 mil unidades de gelo, com abertura prevista para julho. O investimento na nova unidade é de R$ 20 milhões.
Em um mercado estimado em 200 milhões de unidades ao ano em 2025, com potencial de alcançar 500 milhões até 2030, a companhia projeta faturamento de R$ 139 milhões em 2026, após receita estimada em R$ 100 milhões em 2025. A meta é chegar a R$ 300 milhões em receita até o fim da década, combinando expansão da categoria, aumento da capacidade produtiva, inovação e novos lançamentos.
A nova fábrica integra um plano de capex acumulado de R$ 50 milhões em fábricas, automação, logística e tecnologia, financiado integralmente pelos sócios desde a fundação. A decisão de ampliar a operação responde ao esgotamento da capacidade da planta de Atibaia (SP), que já não dispõe de espaço físico nem de disponibilidade de energia elétrica para sustentar o próximo ciclo de crescimento da companhia.
Além de ampliar em 75% a capacidade produtiva, o novo parque fabril foi desenhado para trazer mais eficiência e segurança operacional, com equipamentos mais sofisticados de automação e reforço da infraestrutura de cadeia fria, da armazenagem à distribuição. O projeto também prevê crescimento de 15% no quadro de empregos diretos.
A Coco Leve se posiciona como organizadora de uma nova categoria de soluções de gelo para consumo de bebidas, e não como fornecedora de gelo tradicional. O portfólio é voltado à coquetelaria, ao consumo de cerveja e a diferentes ocasiões de consumo, com foco em agregar conveniência, padronização e experiência à preparação de drinks em bares, eventos, casas noturnas e no varejo alimentar.
Hoje, a empresa opera com 140 distribuidores, que mantêm seus produtos presentes em bares, adegas, supermercados, atacarejos, lojas de conveniência e outros pontos de venda em praticamente todo o território nacional, com exceção do Acre. Outra frente estratégica é o delivery de bebidas. Segundo a companhia, a marca é o gelo oficial da plataforma Zé Delivery em todo o país.
A estrutura logística permite entregar uma caixa de Coco Leve em qualquer cidade do Brasil em até quatro dias, apoiada em parceiros logísticos e na presença nos principais aplicativos de delivery. Em termos de receita, a região Sudeste concentra 66% das vendas, seguida pelo Sul, com 15%, Nordeste, com 8,5%, Centro-Oeste, com 7%, e Norte, com 3,5%.
A trajetória de crescimento da empresa combina expansão industrial, diversificação de portfólio e collabs com grandes marcas de bebidas. Após a fundação em 2018 e o rebranding de Coco Louco para Coco Leve em 2019, a abertura da primeira fábrica, em 2020, levou a receita a R$ 10 milhões. Em 2021 e 2022, com a ampliação do portfólio de três para sete sabores, o faturamento atingiu R$ 18 milhões e R$ 32 milhões, respectivamente.
O produto que deu origem ao negócio, o gelo de água de coco, ainda responde por cerca de 40% das vendas, mas sabores como melancia, maçã verde, morango e maracujá vêm ganhando espaço. Em 2023, o lançamento do gelo para cerveja marcou a entrada da companhia em um novo território de consumo. Entre as inovações, destaca-se o gelo de sal e limão para cerveja, criado para resfriar rapidamente a bebida sem diluí-la.
Esse produto conquistou o primeiro lugar na categoria Inovação de Impacto do Scanntech (IN) Motion 2024, premiação criada pela Scanntech Brasil em parceria com Google, McKinsey & Company e FIA Business School. A ideia surgiu de um desafio lançado por Rogério de Oliveira, atual diretor comercial da companhia.
Nos últimos anos, a Coco Leve intensificou collabs com grandes players como Ambev, Heineken e Xeque Mate. Em 2024 e 2025, a companhia avançou ao desenvolver, em parceria com Beats, marca de drinks prontos da Ambev, uma linha de gelos para drinks não alcoólicos com combinações específicas para Beats Senses, Beats GT e Beats Red Mix, lançada inicialmente no Carnaval. Antes disso, a empresa também criou com a Xeque Mate um gelo sabor limão e gengibre pensado para potencializar o drink da marca.
Ainda no primeiro semestre deste ano, a Coco Leve prevê lançar produtos em parceria com a Diageo e Baly, especializada em energéticos. Paralelamente, segue investindo em linhas voltadas à alta coquetelaria, como a premium Iceboss, além de mixes para drinks e da linha Icecup, de copos com gelo inspirados em conceito já testado em outros mercados.
Para 2026, o mix de receitas projetado é composto por 85% de gelo para drink, 5% da linha premium Iceboss, 7% de mixes para drinks e 3% de Icecup. Os preços variam de R$ 2,99 a R$ 10, de acordo com o canal e a ocasião de consumo.
Diferentemente de outras categorias de congelados, como sorvetes e açaí, a Coco Leve afirma operar com vendas relativamente lineares ao longo do ano, apesar de picos em períodos como verão, festas de fim de ano e Carnaval. A estratégia para reduzir a dependência de sazonalidade passa por ampliar canais, diversificar o portfólio e fortalecer a presença em diferentes perfis de eventos e regiões.
Na frente de inovação, o pipeline é orientado por referências internacionais em sabores, embalagens e insumos, adaptadas ao paladar e às exigências do consumidor brasileiro. A empresa também aposta em iniciativas com marcas de moda, streetwear e lifestyle para reforçar posicionamento e ampliar distribuição.