Ao adotar a MPB como plataforma de marca e anunciar grupo Menos é Mais como embaixador, incorporadora de Florianópolis (SC) estrutura estratégia que combina influência cultural, experiência e posicionamento
A Viva Corp decidiu ocupar um território pouco explorado por incorporadoras: o da cultura como estratégia de marca. Em vez de tratar a música como ação pontual, a empresa passou a incorporá-la como plataforma estruturante de posicionamento, em um movimento que aproxima o setor imobiliário de dinâmicas mais comuns ao marketing de consumo. O primeiro passo dessa estratégia é a escolha do grupo Menos é Mais como embaixador. Um dos principais fenômenos recentes da música brasileira, o grupo representa a força contemporânea do pagode e sua capacidade de dialogar com diferentes gerações, um ativo relevante para marcas que buscam escala e identificação.
Mais do que alcance, a escolha carrega coerência simbólica. O pagode, como expressão popular, está associado a encontros, celebrações e convivência, elementos que dialogam diretamente com o conceito de morar que a empresa busca construir. A empresária Cintia Pereira, presidente da Companhia CBA, grupo ao qual a Viva Corp pertence, explica que a estratégia parte de uma leitura comportamental.
“A música está nos momentos mais importantes da vida. Está nas celebrações, nos encontros entre amigos, no churrasco de domingo, nas pequenas pausas da rotina. É essa presença cotidiana que queremos refletir nos nossos empreendimentos”, afirma.
Ao se posicionar como a incorporadora da música popular brasileira, a marca quer avançar além do produto e ocupar um espaço emocional, criando uma associação direta entre moradia e experiência de vida.
“A música popular brasileira conecta pessoas, conta histórias e transforma realidades. Apoiar a cultura do Brasil é apoiar o Brasil. É nesse território que escolhemos estar presentes”, diz Cintia.
Os números ajudam a explicar a escolha. O Menos é Mais é um fenômeno brasileiro com mais de 7 milhões de ouvintes mensais no Spotify, além de milhões de seguidores nas redes sociais e bilhões de visualizações. Um alcance que amplia o potencial de construção de marca em escala.
Do patrocínio à experiência de marca
A estratégia não se limita ao ambiente digital. Ela se desdobra em experiências presenciais, como a participação da Viva Corp como patrocinadora master do Festival Arena + Pagode, realizado em Biguaçu (SC) no dia 20 de abril. O evento, com mais de 10 horas de shows e atrações como Gamadinho, Marvvila, Fabinho e Davi Quaresma, funciona como plataforma de ativação da marca.
A incorporadora aposta em iniciativas como o Viva Corp Lounge, espaço com serviços e interações para o público, incluindo carregadores de celular e ações promocionais. Nesse contexto, o patrocínio deixa de ser apenas exposição e passa a operar como experiência, um movimento alinhado a estratégias contemporâneas de branding. A escolha de Biguaçu também tem lógica territorial, pois foi lá que a empresa lançou, em 2025, o residencial Viva Serenità, com 38 mil metros quadrados de área construída e mais de 20 áreas de lazer. A ativação cultural, portanto, reforça a presença da marca em mercados onde já atua.
Branding como vetor de crescimento
A aposta na música acontece em paralelo à expansão da Companhia CBA, grupo fundado em 2015 por Cíntia Pereira e Vinícius Billmann. A companhia soma 10 empreendimentos, 600 chaves entregues e nove canteiros ativos, totalizando 1.500 unidades em obras. Em 2025, atingiu R$ 1,03 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), com perspectiva de crescimento exponencial nos próximos anos.
Dentro do grupo, a Viva Corp atua no desenvolvimento de projetos de alto padrão enquadrados no programa federal Minha Casa Minha Vida. Já a CBA Empreendimentos opera no segmento de luxo e superluxo, inclusive atraindo investidores internacionais.
A estrutura de crescimento é sustentada por governança e processos, com apoio da Falconi, auditoria da PwC e atuação junto à Caixa Econômica Federal. Nesse cenário, a música surge como mais do que uma ação de marketing. Ela passa a funcionar como ativo estratégico, ajudando a construir diferenciação em um setor tradicionalmente orientado por produto. Ao transformar cultura em plataforma, a Viva Corp sinaliza uma mudança de lógica: no mercado imobiliário, marca também pode ser experiência, e não apenas endereço.