Estudo do Instituto QualiBest mostra que, mesmo com o torneio ainda distante, o evento já aparece entre os principais temas nas conversas dos brasileiros e influencia expectativas e decisões de consumo
Poucas horas depois da convocação da seleção brasileira reacender o clima de Copa nas redes sociais, nos grupos de amigos e nas mesas de bar, o Mundial de 2026 já mostra que começou muito antes do apito inicial. Faltando menos de 30 dias para o evento, o torneio já domina conversas, movimenta expectativas e coloca marcas no centro da disputa pela atenção dos brasileiros. Um levantamento do Instituto QualiBest revela que a Copa aparece espontaneamente entre os temas mais comentados do país, ao lado de assuntos como política e eleições, reforçando o poder do futebol de mobilizar emoções, consumo e comportamento meses antes da competição.
Segundo o estudo, essa antecipação também impacta diretamente a relação dos brasileiros com as marcas. Quando pensam na Copa do Mundo de forma espontânea, os entrevistados citam empresas tradicionalmente ligadas ao torneio, sendo Adidas a mais lembrada, seguida por Nike e Coca-Cola. Quando estimulados, a associação permanece forte, mas a ordem se altera: Coca-Cola passa a liderar com 75% das menções, seguida por Nike (65%) e Adidas (62%). Na sequência aparecem Itaú (48%), Visa (46%), Guaraná Antarctica (44%), McDonald’s (43%), Mercado Livre (42%), Vivo (41%), entre outras.
Para chegar ao ranking, os entrevistados foram expostos a uma lista de 40 marcas ligadas ao torneio, incluindo patrocinadoras oficiais e empresas com relação direta com a Copa do Mundo de 2026, e indicaram quais associam ao evento.
Top 15 marcas mais associadas à Copa do Mundo de 2026 (pergunta estimulada)
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“Os dados mostram que a Copa do mundo é um evento que mobiliza os brasileiros e a lembrança de marcas está diretamente relacionada a marcas que tradicionalmente apoiam eventos esportivos e o esporte brasileiro. Esse apoio construído consistentemente deixa uma forte lembrança de marca” afirma Fábia Silveira, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest.”
Para o estudo, esse movimento mostra que o evento começa a influenciar comportamentos muito antes do início oficial das partidas, criando um ambiente favorável para marcas que conseguem se conectar ao imaginário do público.
Patrocínio gera impacto real na percepção das marcas
A pesquisa também indica que o patrocínio ao torneio tem forte impacto na imagem das empresas. Para 94% dos brasileiros, associar uma marca à Copa contribui positivamente para sua reputação. Entre os principais efeitos percebidos, as marcas passam a ser vistas como modernas (76%), confiáveis (72%) e próximas das pessoas (70%).
Além disso, o levantamento mostra efeitos diretos no consumo. Para 73% dos entrevistados aumenta o interesse em conhecer melhor produtos e serviços das marcas, enquanto 66% afirmam que o patrocínio aumenta o desejo de comprar esses produtos e serviços, elevando a intenção de compra para as marcas.
Promoções também têm papel relevante nesse processo. Entre os entrevistados, 71% dizem que ações promocionais relacionadas ao evento influenciam suas decisões de consumo. Descontos aparecem como o principal atrativo para 48% dos brasileiros, seguidos por brindes (41%) e sorteios (37%).
“A Copa também movimenta o universo dos colecionáveis: 1 em cada 3 brasileiros demonstra interesse por álbuns de figurinhas, embalagens especiais ou brindes, mostrando que o evento também pode ativar um desejo de guardar, colecionar e prolongar essa experiência.”, afirma Fabia, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest.
Experiência da Copa será cada vez mais social e digital
Assistir aos jogos da Copa já não é apenas acompanhar a partida. O estudo mostra que o evento se transformou em uma experiência social e digital, marcada por múltiplas interações ao mesmo tempo.
Enquanto acompanham os jogos, 47% dos brasileiros conversam sobre as partidas no WhatsApp, 38% comentam ou acompanham memes nas redes sociais e 30% dizem acompanhar estatísticas e informações em tempo real. Outros 29% afirmam que costumam pedir comida por aplicativos de delivery durante as partidas. Em média, cada brasileiro com acesso a internet realiza 2,6 outras atividades digitais simultaneamente enquanto assiste aos jogos, evidenciando a fragmentação da atenção e o desafio que as marcas terão para se destacar durante o evento.
A televisão aberta continua sendo o principal meio para acompanhar conteúdos sobre a Copa do Mundo de 2026, como notícias e melhores momentos, citada por 72% dos entrevistados. No ambiente digital, o público também pretende acompanhar o torneio por diferentes plataformas, com destaque para o YouTube (49%), Instagram (36%), sites e aplicativos de notícias e placares (23%) e TikTok (17%).
Quando o assunto é assistir aos jogos, a TV Globo aparece como o principal canal citado pelos brasileiros (64%). seguida pela CazéTV (47%), SporTV (33%), SBT (28%), Globo Play (27%), N Sport (14%) e GETV (12%). Os resultados indicam que os brasileiros tendem a combinar diferentes plataformas para acompanhar o torneio.
Evento movimenta consumo e mantém rituais tradicionais
O levantamento também mostra que a Copa continua sendo vivida principalmente dentro de casa. Cerca de 64% dos brasileiros pretendem assistir aos jogos em casa, enquanto 27% planejam acompanhar as partidas na casa de amigos ou familiares.
O caráter coletivo do evento permanece forte. Entre os rituais mais associados ao período estão reunir a família para assistir às partidas (72%), e fazer churrasco (59%).
Durante o torneio, algumas categorias de produtos se destacam no consumo. Refrigerantes aparecem como os itens mais associados ao período, citados por 61% dos entrevistados, seguidos por carne para churrasco (59%), cerveja (49%) e Snacks/ petiscos (47%).
Mesmo com o interesse elevado — 46% dos brasileiros pretendem assistir ao máximo de jogos possível — o torneio não deve reorganizar completamente a rotina da maioria. Apenas 15% afirmam que pretendem adaptar seus horários para acompanhar partidas noturnas. Outros 29% dizem que devem assistir apenas aos jogos mais importantes, enquanto 21% reconhecem que pode ser difícil acompanhar todas as partidas.
A Seleção Brasileira se destaca como um importante motor emocional da Copa do Mundo para os brasileiros, tanto para engajar quanto para gerar frustração. Os jogos do Brasil são apontados por 51% dos entrevistados como o principal fator de ânimo para acompanhar a competição. Em um cenário de eliminação, 42% afirmam que continuariam assistindo normalmente, enquanto 23% passariam a focar nas fases decisivas.
Os dados analisados em conjunto, mostram que ainda há ceticismo quanto ao sucesso da seleção brasileira: 54% apontam a falta de credibilidade na Seleção como um dos principais fatores que diminuem o ânimo para acompanhar o torneio, seguida pelos horários ruins das partidas (49%).
“A Seleção concentra grande parte das emoções do torcedor brasileiro. Ela é, ao mesmo tempo, o que mais mobiliza o interesse pelo torneio e um dos fatores que mais pode frustrar parte do público. O brasileiro, neste momento, ainda se mostra contido, mas sabemos que o desempenho da Seleção pode aumentar ou diminuir o engajamento no evento”, afirma Fábia Silveira, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest.
Mesmo com sentimentos divididos em relação à Seleção, o torneio também deve movimentar o varejo. A pesquisa mostra que 35% dos brasileiros pretendem comprar uma camisa original da Seleção Brasileira para a Copa de 2026, enquanto 24% dizem que devem optar por versões não oficiais — o que representa um interesse total de 59% em adquirir camisas da equipe, independentemente da origem. Além disso, parte do público planeja investir em equipamentos ou serviços para acompanhar melhor os jogos, com destaque para a compra de Smart TVs, mencionada por 30% dos entrevistados, seguida pela assinatura de serviços de streaming ou pacotes de canais (20%).
“Outro movimento esperado são as promoções, sorteios, colecionáveis e edições limitadas, que os brasileiros já aguardam e gostam bastante. A rejeição a esse tipo de ação é praticamente inexistente: só 2% dizem não ter interesse em iniciativas ligadas à Copa do Mundo”, afirma Fabia, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest.
Os dados reforçam o potencial da Copa como um momento de mobilização do consumo ligado ao entretenimento e ao esporte.
Jogadores que engajam o público
O levantamento também identificou os jogadores que mais despertam interesse do público para assistir aos jogos da Copa do Mundo de 2026. Entre os nomes mais citados pelos entrevistados estão Neymar, Vini Jr., Messi e Cristiano Ronaldo.
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 24 de fevereiro de 2026, com 1.000 internautas de diferentes faixas etárias, classes socioeconômicas e regiões do país. O levantamento foi conduzido por meio de questionário quantitativo online na plataforma QualiBest, com participantes do painel de pesquisa proprietário do instituto, que reúne 250 mil painelistas cadastrados para responder a estudos sobre diversos temas.